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Espionagem. MI5 admite ter mentido em tribunal para proteger espião neonazi
É a primeira vez que o serviço de segurança interna e contraespionagem admite que foram contadas mentiras aos tribunais. Em causa está a defesa de um espião neonazi cujos crimes foram revelados pela BBC. O agente X, como ficou conhecido, usava a função de informador do MI5 para cometer abusos impunemente.
O MI5 admite agora que as alegadas provas apresentadas a três tribunais se basearam em mentiras e que os responsáveis pelo serviço de inteligência britânica foram repetidamente desonestos.
Durante uma audiência no Supremo Tribunal, esta sexta-feira, o advogado que representa o MI5 afirmou que "o MI5 aceita, sem reservas" a acusação de ter apresentado provas falsas em tribunal.
O caso envolve um neonazi, informador do MI5 conhecido como Agente X, que usou a função no serviço britânico de segurança interna como meio para cometer abusos.
Ele atacou a então namorada com uma faca de mato e o MI5 ajudou-o a sair do Reino Unido enquanto estava sob investigação policial.
Para poder esconder a identidade deste neonazi, o MI5 mentiu aos tribunais.
Foi invocada a política de "não confirma nem desmente" para manter confidencial a identidade do homem que era um espião ao serviço de Sua Majestade.
O governo processou a BBC em 2022, numa tentativa falhada de impedir a investigação sobre o agente X, mas conseguiu manter sob anonimato jurídico a identidade do homem.
Cabe aos juízes do Supremo decidir se instauram um processo por perjúrio contra determinados agentes do MI5 ou contra o próprio serviço.